Katia Maciel
O rosto na análise de Deleuze denuncia a extratificação e coexistência do interior/exterior, significância e subjetividade. É através dele que, primeiramente, reconhecemos nossos pares e interagimos, nos mostramos para os outros. Tomamos emprestado um rosto para um discurso e é também através dele que transborda nossos sentimentos e é por ele que sofremos nossos processos de subjetivação. O rosto é um produto.
A instalação que a artista se refere trata-se do vínculo social, rosto social, que todo o indivíduo tem e como ele é construído para uma sociedade. Mediado pela tecnologia, a instalação tem como suporte o áudio e imagens projetadas para produzir diferentes rostos e diferentes possibilidades de diálogo a partir de frases pré-gravadas. Este rosto social em processos de subjetivação outros tornam o ser único a cada clique ou a cada construção de frases estabelecendo assim diferentes construções e conexões durante o tempo em que o participante interage com a obra. Esta produção de rostos, repositório de subjetividades, mediada pela tecnologia é capaz de se conectar com o participante e dali produzir uma interação real?
Diálogos passados, gravados, se tornam presentes à medida em que são acionados e podem até se tornar futuros quando partimos para a previsão de possibilidades destes acontecerem. A questão do devir, porvir, torna-se crucial para o entendimento de que a instalação se torna uma simulação à medida em que entendemos que não ocorrerá o aprofundamento da subjetividade e sim somente frases clichês em um universo medido e calculado.
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