quarta-feira, 30 de março de 2011

Crítica - Um, nenhum e cem mil: cineweb, inter-faces ou sistema de rostidade

“A idéia do rosto como superfície, sistema buraco negro/muro branco, conforme a análise de Deleuze, indica a coexistência de estratos interior/exterior, superfície/profundidade, significância/subjetividade. O rosto não é pura aparência do que se sente ou pensa, ele é superfície de contato operadora e redundante. A rostidade seria a operação de produção social do rosto, a política de conversão de um interior em um muro de sociabilidade. A máquina de rostidade opera a rostificação do corpo. O filósofo descreve as operações desta máquina como maneira de apontar linhas de fuga, isto é , como destruir o rosto, como se tornar clandestino, como escapar do controle. O rosto resulta de agenciamentos de poder, máquina que instala significância e subjetivação na superfície esburacada. ”
Katia Maciel

O rosto na análise de Deleuze denuncia a extratificação e coexistência do interior/exterior, significância e subjetividade. É através dele que, primeiramente, reconhecemos nossos pares e interagimos, nos mostramos para os outros. Tomamos emprestado um rosto para um discurso e é também através dele que transborda nossos sentimentos e é por ele que sofremos nossos processos de subjetivação. O rosto é um produto.
A instalação que a artista se refere trata-se do vínculo social, rosto social, que todo o indivíduo tem e como ele é construído para uma sociedade. Mediado pela tecnologia, a instalação tem como suporte o áudio e imagens projetadas para produzir diferentes rostos e diferentes possibilidades de diálogo a partir de frases pré-gravadas. Este rosto social em processos de subjetivação outros tornam o ser único a cada clique ou a cada construção de frases estabelecendo assim diferentes construções e conexões durante o tempo em que o participante interage com a obra. Esta produção de rostos, repositório de subjetividades, mediada pela tecnologia é capaz de se conectar com o participante e dali produzir uma interação real?
Diálogos passados, gravados, se tornam presentes à medida em que são acionados e podem até se tornar futuros quando partimos para a previsão de possibilidades destes acontecerem. A questão do devir, porvir, torna-se crucial para o entendimento de que a instalação se torna uma simulação à medida em que entendemos que não ocorrerá o aprofundamento da subjetividade e sim somente frases clichês em um universo medido e calculado.

Crítica - Experimentações artísticas em redes telemáticas

“As experimentações artísticas com as novas mídias digitais vêm-se manifestando e multiplicando nesses últimos 30 anos com a utilização, pelos artistas, de diversas formas de produção, distribuição e intercâmbio, possibilidade acentuada com a recente porém intensa introdução da Web. Vários artistas vem desenvolvendo projetos nesses domínios, que continuam a ser um campo frutuoso para experiências artísticas e representam um dos novos desafios para a arte
contemporânea.”

Gilbertto Prado

A arte sempre andou ao lado da tecnologia tomando emprestado suas formas de lidar com o mundo em constante mudança. Com o advento das mídias digitais, o leque de opções e afinidades aumentaram. Profissionais mais ligados à outras áreas, mais técnicas, passam a integrar projetos de artes com mediação tecnológica.
A questão interdisciplinar para esta área torna-se um fator preponderante para o surgimento de novas formas de produção de arte. Ao longo destes últimos trinta anos, a criação de perceptos na área de arte com tecnologia possuiu uma gama de inventos e eventos atraindo o público tradicional, mas também um público que acompanha obras pela internet e outros espaços afins, ou seja, a arte deixou de ter um local físico para existir. Como motor propulsor desta arte, surgiu a telemática, onde podemos estabelecer trocas de saberes e novas proposições. Com o foco voltado para a internet, cada vez mais artistas se especializam nas tecnologias e contam com a ajuda de profissionais que até então trabalhavam somente na produção de functivos. É um caminho novo para os dois lados e um desafio muito grande quando pensamos em unir interesses e visões deste mundo. O artista precisa entender e adaptar sua visão aos conceitos de eletrônica e informática, por sua vez, o profissional da área de tecnologia precisa adaptar a sua visão de mundo para a criação de poéticas produtoras de afetos.
Os desafios para esta arte contemporânea são muitos e mais ainda quando falamos na união de profissionais de diferentes áreas. Torna-se cada vez mais fundamental o conhecimento do todo, generalista, deixando de lado o especialista e partir para a busca de novas formas de coexistência e produção da arte.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Para ver, tocar, ouvir...

Estive procurando alguns cursos de mestrado aqui no Brasil e lá fora e esbarrei neste blog master in technology and digital art - projects' exhibition.
Vale à pena para o pessoal de arte e tecnologia. Ahhh... encontrei o blog a partir da Universidade do Minho - PT.