segunda-feira, 6 de junho de 2011

Instalação: Tempos e seus fragmentos (ensaio)

A duração se configura entre uma e várias instâncias sentidas, vividas, intuídas, não contadas e implica, sobretudo, em consciência. Sendo múltipla indicernível, qualitativa e heterogênea. Ao contrário do tempo que possui uma linearidade abstrada, não indo além de uma representação de um símbolo numérico e, portanto, estático. O tempo, que é seu, mas também é o de todo mundo, não é mensurável. Doravante uma ideia de um “tempo-quantidade”, cria-se um conflito entre a esfera psicológica, o tempo de nossas consciências, e o tempo dos relógios, mensurável e homogêneo.
Nesse sentido, a relação entre o espaço percorrido pelos ponteiros do relógio e o tempo real não existem. As proposições que se sucedem a cada momento só existirão para uma consciência, especificamente falando, para uma memória que as registre.



Neste contexto o que se propõe é uma vídeo-instalação que volte para o tempo individual e consciente do fruidor. Procura-se voltar no tempo e resgatar seus fragmentos perdidos, dar a possibilidade de escolher em si mesmo os “agoras eternos” que foram postos em segundo plano devido o não-percebimento de sua trajetória até se deparar com o seu “eu”. Ao se deparar com ele mesmo, o fruidor terá, através movimentos corpóreos, movimentos provocados, buscará em um momento anterior passagens e ângulos de seu corpo causando-lhe estranhamento.

O fruidor precisará de um tempo de adaptação para enfim entender e “brincar” com os diversas nuances que seu corpo, às vezes um corpo que não costuma ver ou que jamais tenha visto, se ver na dúvida em que caminho escolher para chegar ao monitor e seu caminhar até lá.



De um modo geral o fruidor em seu primeiro momento deverá escolher qual caminho seguir para se encontrar com ele mesmo. Neste instante seus fragmentos de movimentação no espaço serão colhidos e armazenados através de câmeras espalhadas pela instalação e exibidas através de movimentações por parte do fruidor frente ao monitor.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Crítica - Um, nenhum e cem mil: cineweb, inter-faces ou sistema de rostidade

“A idéia do rosto como superfície, sistema buraco negro/muro branco, conforme a análise de Deleuze, indica a coexistência de estratos interior/exterior, superfície/profundidade, significância/subjetividade. O rosto não é pura aparência do que se sente ou pensa, ele é superfície de contato operadora e redundante. A rostidade seria a operação de produção social do rosto, a política de conversão de um interior em um muro de sociabilidade. A máquina de rostidade opera a rostificação do corpo. O filósofo descreve as operações desta máquina como maneira de apontar linhas de fuga, isto é , como destruir o rosto, como se tornar clandestino, como escapar do controle. O rosto resulta de agenciamentos de poder, máquina que instala significância e subjetivação na superfície esburacada. ”
Katia Maciel

O rosto na análise de Deleuze denuncia a extratificação e coexistência do interior/exterior, significância e subjetividade. É através dele que, primeiramente, reconhecemos nossos pares e interagimos, nos mostramos para os outros. Tomamos emprestado um rosto para um discurso e é também através dele que transborda nossos sentimentos e é por ele que sofremos nossos processos de subjetivação. O rosto é um produto.
A instalação que a artista se refere trata-se do vínculo social, rosto social, que todo o indivíduo tem e como ele é construído para uma sociedade. Mediado pela tecnologia, a instalação tem como suporte o áudio e imagens projetadas para produzir diferentes rostos e diferentes possibilidades de diálogo a partir de frases pré-gravadas. Este rosto social em processos de subjetivação outros tornam o ser único a cada clique ou a cada construção de frases estabelecendo assim diferentes construções e conexões durante o tempo em que o participante interage com a obra. Esta produção de rostos, repositório de subjetividades, mediada pela tecnologia é capaz de se conectar com o participante e dali produzir uma interação real?
Diálogos passados, gravados, se tornam presentes à medida em que são acionados e podem até se tornar futuros quando partimos para a previsão de possibilidades destes acontecerem. A questão do devir, porvir, torna-se crucial para o entendimento de que a instalação se torna uma simulação à medida em que entendemos que não ocorrerá o aprofundamento da subjetividade e sim somente frases clichês em um universo medido e calculado.

Crítica - Experimentações artísticas em redes telemáticas

“As experimentações artísticas com as novas mídias digitais vêm-se manifestando e multiplicando nesses últimos 30 anos com a utilização, pelos artistas, de diversas formas de produção, distribuição e intercâmbio, possibilidade acentuada com a recente porém intensa introdução da Web. Vários artistas vem desenvolvendo projetos nesses domínios, que continuam a ser um campo frutuoso para experiências artísticas e representam um dos novos desafios para a arte
contemporânea.”

Gilbertto Prado

A arte sempre andou ao lado da tecnologia tomando emprestado suas formas de lidar com o mundo em constante mudança. Com o advento das mídias digitais, o leque de opções e afinidades aumentaram. Profissionais mais ligados à outras áreas, mais técnicas, passam a integrar projetos de artes com mediação tecnológica.
A questão interdisciplinar para esta área torna-se um fator preponderante para o surgimento de novas formas de produção de arte. Ao longo destes últimos trinta anos, a criação de perceptos na área de arte com tecnologia possuiu uma gama de inventos e eventos atraindo o público tradicional, mas também um público que acompanha obras pela internet e outros espaços afins, ou seja, a arte deixou de ter um local físico para existir. Como motor propulsor desta arte, surgiu a telemática, onde podemos estabelecer trocas de saberes e novas proposições. Com o foco voltado para a internet, cada vez mais artistas se especializam nas tecnologias e contam com a ajuda de profissionais que até então trabalhavam somente na produção de functivos. É um caminho novo para os dois lados e um desafio muito grande quando pensamos em unir interesses e visões deste mundo. O artista precisa entender e adaptar sua visão aos conceitos de eletrônica e informática, por sua vez, o profissional da área de tecnologia precisa adaptar a sua visão de mundo para a criação de poéticas produtoras de afetos.
Os desafios para esta arte contemporânea são muitos e mais ainda quando falamos na união de profissionais de diferentes áreas. Torna-se cada vez mais fundamental o conhecimento do todo, generalista, deixando de lado o especialista e partir para a busca de novas formas de coexistência e produção da arte.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Para ver, tocar, ouvir...

Estive procurando alguns cursos de mestrado aqui no Brasil e lá fora e esbarrei neste blog master in technology and digital art - projects' exhibition.
Vale à pena para o pessoal de arte e tecnologia. Ahhh... encontrei o blog a partir da Universidade do Minho - PT.